A breve história de um militante:
Em certa ocasião ocorria um congresso realizado na Puc, em que o palestrante da noite era o doutor Gabeira. O assunto tratado falava a respeito da revolução em que o orador vivia em sua juventude, isto é, a época da ditadura militar. No decorrer da palestra um jovem aluno lhe indagou com a pergunta: "O senhor algum tempo atrás, defendia pegar nas armas para fazer revolução, e agora parece que sua militância mudou, e o senhor começou a escrever livros,... o senhor se arrefeceu em sua militância?" No que o senhor Gabeira respondeu: "Quem foi que lhe disse que uma metralhadora causa mais estragos do que um livro, quem colocou em sua cabeça, que as armas tem um poder de transformação maior do que as ideias? Eu continuo um revolucionário, muito mais engajado ainda!"
Contada por Ed René Kivitz
Os tempos são outros!
Então faço a pergunta: Mas será que mudou muita coisa em nossos dias? As vezes fico observando o tempo em que vivo, reparando como tem sido as atitudes das pessoas em minha volta. No entanto, não vejo tanta mudança assim em relação ao tempo de ditadura militar. Antes, as pessoas quando queriam se expressar em favor de uma causa, tinham que partir pra "luta", correr para as ruas e reivindicar seus direitos, conquistar sua liberdade.
Hoje a causa é outra, as motivações mudaram. A ditadura não é militar, as armas para paralizar as pessoas não são metralhadoras, a forma de reprimir não se encontra nas salas de interrogatório. Entretanto, hoje o que paraliza as pessoas possuem outras faces. Nesse capitalismo selvagem notamos que a "briga" é pra quem vende mais, pra quem consegue "influenciar" o maior número de pessoas com coisas que não precisam. Conduzindo as fracas mentes dizendo o que elas devem vestir, comer e usar.
Ainda que mude o cenário, as pessoas e as motivações, vale ressaltar que sempre haverá aqueles que tentam contribuir para a melhoria da sociedade em sua volta. Pois o conhecimento liberta e promove libertação, muda a direção, nos apresentando novas ideias e soluções, e nos motiva a comissionar outros para uma nova perspectiva de Revolução.
Vivo num ambiente acadêmico, onde pessoas se encontram para discutir teologia, filosofia, história da igreja, entre outros assuntos. Ou seja, um ambiente onde as reflexões nos proporcionam questionar e buscar novos caminhos que nos ajudarão a promover conhecimento para aqueles que desejam entender do porquê estão aqui, do porquê fazem o que fazem, e como podem tornar a sociedade onde vivem um espaço melhor.
Não consigo admitir a ideia de que tudo que estou aprendendo não será usado na minha carreira cristã. Não me permito acreditar que existem pessoas que adquirem conhecimento para nada. Ainda que mude o cenário, as pessoas e as motivações, vale ressaltar que sempre haverá aqueles que tentam contribuir para a melhoria da sociedade em sua volta. Pois o conhecimento liberta e promove libertação, muda a direção, nos apresentando novas ideias e soluções, e nos motiva a comissionar outros para uma nova perspectiva de Revolução.
Leonardo Taveira


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