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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Revolução das "Armas" Literárias


A breve história de um militante:

Em certa ocasião ocorria um congresso realizado na Puc, em que o palestrante da noite era o doutor Gabeira. O assunto tratado falava a respeito da revolução em que o orador vivia em sua juventude, isto é, a época da ditadura militar. No decorrer da palestra um jovem aluno lhe indagou com a pergunta: "O senhor algum tempo atrás, defendia pegar nas armas para fazer revolução, e agora parece que sua militância mudou, e o senhor começou a escrever livros,... o senhor se arrefeceu em sua militância?" No que o senhor Gabeira respondeu: "Quem foi que lhe disse que uma metralhadora causa mais estragos do que um livro, quem colocou em sua cabeça, que as armas tem um poder de transformação maior do que as ideias? Eu continuo um revolucionário, muito mais engajado ainda!" 

Contada por Ed René Kivitz
Os tempos são outros!

Então faço a pergunta: Mas será que mudou muita coisa em nossos dias? As vezes fico observando o tempo em que vivo, reparando como tem sido as atitudes das pessoas em minha volta. No entanto, não vejo tanta mudança assim em relação ao tempo de ditadura militar. Antes, as pessoas quando queriam se expressar em favor de uma causa, tinham que partir pra "luta", correr para as ruas e reivindicar seus direitos, conquistar sua liberdade.

Hoje a causa é outra, as motivações mudaram. A ditadura não é militar, as armas para paralizar as pessoas não são metralhadoras, a forma de reprimir não se encontra nas salas de interrogatório. Entretanto, hoje o que paraliza as pessoas possuem outras faces. Nesse capitalismo selvagem notamos que a "briga" é pra quem vende mais, pra quem consegue "influenciar" o maior número de pessoas com coisas que não precisam. Conduzindo as fracas mentes dizendo o que elas devem vestir, comer e usar.
Vivo num ambiente acadêmico, onde pessoas se encontram para discutir teologia, filosofia, história da igreja, entre outros assuntos. Ou seja, um ambiente onde as reflexões nos proporcionam questionar e buscar novos caminhos que nos ajudarão a promover conhecimento para aqueles que desejam entender do porquê estão aqui, do porquê fazem o que fazem, e como podem tornar a sociedade onde vivem um espaço melhor.
Não consigo admitir a ideia de que tudo que estou aprendendo não será usado na minha carreira cristã. Não me permito acreditar que existem pessoas que adquirem conhecimento para nada.
Ainda que mude o cenário, as pessoas e as motivações, vale ressaltar que sempre haverá aqueles que tentam contribuir para a melhoria da sociedade em sua volta. Pois o conhecimento liberta e promove libertação, muda a direção, nos apresentando novas ideias e soluções, e nos motiva a comissionar outros para uma nova perspectiva de Revolução. 


Leonardo Taveira




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A cultura de Jesus e o Cristo nas culturas

"Antes, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e fazendo-se semelhante aos homens". (Fp. 2:7).
O Filho de Deus deixou a sua glória para participar da realidade fragilizada dos homens. As vezes sou conduzido a pensar como foi os dias de Jesus aqui na terra. Fico imaginando como ele andava, como se vestia, o que comia, com quem se relacionava e o que o motivava mais do que qualquer coisa. Ele foi um judeu autêntico, era confundido com qualquer um de sua época. Apesar disso, não teve as mesmas atitudes tanto daqueles que não detinham muito conhecimento, como também dos religiosos decaídos na ciranda da vanglória humana.
Essa era a cultura em que Jesus foi criado, foi nesse ambiente que ele aprendeu o ofício de carpinteiro, onde participou das festividades locais e cresceu em graça e sabedoria diante de Deus e dos homens. Como Deus ele conhece a Deus, e como homem, ele também conheceu o homem. Viveu nossas dificuldades e fraquezas e nem por isso estendeu o dedo para nos acusar, pelo contrário, ele sempre esteve disposto a estender as mãos para nos levantar. Não importa de onde você venha, ou quais sejam as pessoas com quem anda, onde você está foi o lugar planejado por Deus para seu desenvolvimento.
Como seria se Jesus vivesse em nossos dias? Quais seriam os critérios que ele usaria para poder se relacionar com as pessoas? Qual seria o lugar que ele escolheria para viver? Não importa qual fosse o lugar, acredito que ele certamente continuaria se identificando com os demais.
Afinal, neste mundo globalizado, Cristo vai além das barreiras sociais, éticas, culturais e religiosas. Sua mensagem alcança a todos os homens e ao homem todo, em todos os lugares. Não há cultura, não há povo, não há língua que Cristo não consiga se comunicar. A liguagem que Ele continua usando é a linguagem do Amor.
Mesmo nesses dias tão ecléticos devemos continuar a falar não a linguagem dos anjos, mas sim a linguagem universal do Cristo. É somente através dela que aprendemos diariamente como se relacionar com as diferenças que nos cercam, e continuar a seguir o exemplo do Amado de nossas almas.